Amador Bueno da Ribeira, um rei aclamado no Brasil

Desde o século XVI havia certos problemas relativos à legitimidade dos monarcas portugueses no Brasil.

Os bravos paulistas de então, desagradados com a aclamação de Dom João IV, Duque de Bragança, resolveram aclamar um rei de agrado do povo, no caso, Amador Bueno da Ribeira. É o que nos ensinou Tancredo do Amaral na obra “A história de São Paulo ensinada pela biographia dos seus vultos mais notáveis” nas páginas 82 a 85:

CAPITULO VHistoriação necessária de alguns successos. Amador Bueno da Ribeira. Grandes vissicitudes soffrêra a capitania de S. Vicente durante muitos annos. Além dos continuos assaltos dos selvagens, fôra ella atacada em 1583 pelo pirata inglez Cavendish que incendiou a villa depois de têl – a entregue ao saque da sua gente, sendo transferida successivamente a séde do governo da capitania para S. Paulo de Piratininga em 1581 e depois para a villa de Itanhaen até ao anno de 1677, por questões entre os herdeiros de Martim Affonso. Estivera Portugal sujeito ao jugo de Castella durante sessenta annos, desde 1581 até 1640, e, á noticia de que com a acclamação de D. João IV, antes duque de Bragança, se sacudíra aquelle dominio, irritaram-se os hespanhoes que habitavam S. Vicente e os que viviam com os paulistas domiciliados em S. Paulo e a elles ligados por laços de familia; e procuraram oppor-se a que fosse o monarcha acclamado na capitania.

Para conseguirem o seu desideratum resolveram acclamar rei a Amador Bueno da Ribeira.

Amador Bueno da Ribeira era um distincto paulista, natural de Sevilha, na Hespanha, e filho de Bartholomeu Bueno da Ribeira.

Não obstante ser descendente de hespanhoes, não sujeitou-se a aceitar a graça que lhe queriam conceder porque, possuidor de um caracter exemplar e fiel ás suas crenças e aos seus precedentes, não podia deixar de reconhecer como soberano aquelle que havia restabelecido o throno portuguez e que tinha direitos incontestaveis a elle.

A 1º de abril de 1641, deu-se a sua aclamação para rei de São Paulo, sendo elle acompanhado da sua residencia, que era na rua de Martim Affonso Tebyriçá, hoje de S. Bento, até o mosteiro do mesmo nome por grande massa popular.

Recusa-se Amador a attender o povo. Este insistindo e gritando persegue-o; pelo que elle desembainhando a espada, surdo á promessa de morte que lhe faziam se se obstinasse a recusar, responde ao grito de “Viva Amador Bueno, nosso rei!” com o de “viva D.João IV, pelo qual estou disposto a derramar todo o meu sangue!” e, chegando ao convento, n’elle entrou rapidamente, fechando a porta.

Os monges do convento appareceram então de cruz alçada e, falando aos amotinados, os convenceram do seu erro, sendo acclamado então o duque de Bragança em todas as ruas.

<< O desprendimento aos encantos da realeza em Amador Bueno, a sobranceria ao pungimento do egoismo, que dominou essa alma cheia de fidelidade e de honra, é uma lenda, um axioma glorioso nas tradições do Estado de São Paulo, o verbo historico que mais bem aquilata o caracter dos paulistas no tempo que era um timbre esse nome.>>

O governo de Portugal, pela carta régia de 24 de Setembro de 1643, dirigiu agradecimentos aos paulistas por esse facto e especialmente a Amador Bueno, pela fidelidade de que dêra provas tão eloquentes.

Referindo-se a esse facto, diz um historiador: << Todavia parece certo que, nas tendências para a sua emancipação em que estavam os animos dos paulistas, altivos, intrépidos, habituados a uma vida de lutas, fadigas e privacões, e sempre dispostos para emprezas arriscadas, era-lhes facil defenderem e sustentarem a resolução que haviam tomado de se imporem um chefe de sua escolha, subtrahindo-se ao dominio de Portugal, si fôra elle menos circumspecto e mais ambicioso que Amador Bueno. Com um tal chefe, que se deve qualificar como o maior vulto dos tempos primitivos, os paulistas se constituiriam independentes, e, em breve, o mais formidavel povo da America do Sul.»

Amador Bueno diversas vezes teve as rédeas do governo de sua patria, occupando os cargos de ouvidor da Capitania, provedor e contador da Fazenda Real e juiz de orphãos, em 1638.

Não se sabe precisamente a época de sua morte, senão que vivia ainda em outubro de 1649, tendo-se apresentado n’essa occasião em juizo dizendo que por ser muito velho não podia continuar como tutor de seus dous sobrinhos menores, filhos de Francisco Bueno.

Ao que parece o movimento monarquista permanece até hoje com o problema do século XVII, os Bragança não se entendem com a questão da legitimidade e a malfadada renúncia de Dom Pedro de Alcântara em 1908, boa parte dos herdeiros vive fora do Brasil, aparentemente motivados por fatores egoísticos que, em última análise, não viabilizarão a restauração da monarquia.

É hora de um descendente do Rei Aclamado tomar a dianteira, um Bueno da Ribeira, para o bem do Brasil.

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