O movimento que perdura com os anos

Na foto, Selton Mello caracterizado como dom Pedro II na telenovela brasileira “Nos tempos do Imperador”.

A república brasileira, como foi proclamada, é uma obra de iniquidade. A república se levantou sobre os broquéis da soldadesca amotinada, vem de uma origem criminosa, realizou-se por meio de um atentado sem precedentes na história e terá uma existência efêmera. Visconde de Ouro Preto, último Primeiro Ministro do Império do Brasil. Fundador do Diretório Monárquico do Brasil – DMB 1890.

Talvez não seja a pessoa mais apta, mas também não a mais neófita para escrever um pouco sobre o Movimento Monarquista. Vivo, respiro, o toco diariamente, às vezes de forma direta e também pelas facetas contidas nele.

O que abordarei é algo que considero como “Categoria C” na Medicina (conforme relevância médica/pessoal de quem a escreve).

Com a morte de Dom Luiz e ascensão de Dom Bertrand corroborou-se a continuação de alguns temas monárquicos como conceitos e educação.

Ainda perdura uma quantidade relevante de fatos principescos administrados e filtrados com afinco pelo Promonarquia, trazendo um ar de diferenciação entre príncipes e monarquistas.

Ver com bons olhos esta aura de casta intocável, este distanciamento indiferente, é desmerecedor de qualquer um que luta pela Causa.

A função da nobreza verdadeira é constituir um grupo que ofereça ao mundo atual um contraponto, um polo que, ainda que não impeça o mundo atual de ser o que é, possa oferecer a alguns a intuição da Verdade. Servindo como exemplo, atuando sem ativismo, criando novas relações, novas distâncias, exercendo uma ação de presença, ou seja, sendo aquilo que a elite deve ser, poderá gerar o início de uma crise libertadora.” Trecho de “A nobreza em exílio” de Dom Evandro Monteiro de Barros Junior.

Na jornada e com intuito de trazer um monarquista a cada dia para nosso Movimento, adentro em diversas realidades, desde adolescentes a idosos, profissionais liberais a contratados e sindicalizados; direita e esquerda e centrão. Mas o mais importante é onde há uma fagulha de dúvidas, de perguntas diretas sobre o tema ou ainda, interesse genuíno sobre o que foi a Monarquia e o que poderia ser. E nisto devemos adentrar.

Com esse pensamento, observei e conversei com pessoas diversas e em diversos graus de entendimento sobre o Brazil, mas todos eles têm um propósito principal em comum: entender quem é o pai da Nação e o que é ser brazileiro.

Nosso aprendizado é contínuo, obviamente, mas é ascendente e duradouro. Por isso entendo que o resgate focado na identidade brazileira é a melhor aposta para acabar com essa dualidade causada pelo Conflito de Classes tão pronunciado.

Buscar quem somos, quem fomos, nossos heróis e nossos possíveis líderes faz com que tudo valha a pena, mas esse, almejado, deve ser reflexo de seu povo. Ter um brasileiro que ama seu país e que compartilha com o pensamento e estilo governamental, que possa, onde quer que vá, levar a glória do verdadeiro brasileiro e não ser preso em amarras republicanas parece um sonho, mas talvez um sonho ainda a se realizar.

Viver com amor e honra ao que se faz é para poucos e muitas vezes só, como vimos diversas vezes nosso saudoso Dom Pedro II; então haverá a possibilidade de haver um novo monarca tão apto e tão aclamado quanto?

São perguntas tão significativas e tão dolorosas a nós, monarquistas, que muitas vezes evitamos tais pensamentos para não sermos engolfados na angústia e no devaneio.

Seria ilusório achar que existe hoje esse Pai que nos falta, seria uma benção que este aparecesse como em uma noite de desespero e dissesse: filhos, estou aqui para confortá-los. Não, este não existe, mas pode ser trabalhado.

Para isso, ser brasileiro e entender suas amarras e diversas realidades, sentir a dor, a perda, a tristeza do homem comum, trabalhar os desencantos das dificuldades absurdas financeiras e o esmagar das classes pela república, sentir a solidão de voltar para casa e não saber o que fazer amanhã para vencer um novo dia, sejam prerrogativas para um Imperador de caráter, do Brasil atual, muito antes das prerrogativas históricas e de sangue. O Aclamado deve ser um verdadeiro brasileiro em corpo, alma e caráter.

O Brazil tem muita dor, muitos sonhos retalhados, muitos dissabores causados pela corrupção e falta de Deus como orientador e criador, falta de Amor ao próximo e aos irmãos acolhidos em pequenos grupos.

A sociedade está cheia deles: de incertezas, de tristezas, de realidades diferentes e sonhos diferentes que convergem em um esboço de um verdadeiro imperador do povo e para o povo. Que viva e acorde pensando em melhorar seu país, trazer orgulho por onde passar e que histórias de saudades, tão brasileira e sincera, por onde passar e ficar.

Nosso querido Imperador, onde você estiver, estendemos nosso coração e estaremos prontos a esperar e ajudar no Novo Brasil.

D. Marcelo Marques
Grão-Mestre da Ordem dos Milagres de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Duque da Espada de Rubi e Par da Ístria
Marquês de São Pelegrino pela Casa Arpades
Marquês de São João Batista pela Casa Schina
Chanceler do Círculo Monárquico Mogiano
Médico imunoalergologista e emergencista
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