Realismo filosófico de Schopenhauer e a monarquia

Por Liam Bourn l Follow @LiamBourn on Twitter and Gettr

Uma desvantagem peculiar atribuída às repúblicas é que nesta forma de governo é mais difícil para os homens capacitados alcançarem os altos cargos e exercerem influência direta na política do que no caso das monarquias. Isso porque sempre há uma conspiração contra os bons homens por parte dos estúpidos, fracos e medíocres; eles veem esses homens excelentes como inimigos naturais e estão fortemente unidos por um medo comum deles. Há sempre uma numerosa horda de homens estúpidos e fracos, e por uma constituição republicana é fácil para medíocres suprimirem e excluírem os homens de habilidade para que não sejam flanqueados por eles. Eles são cinquenta contra um. Em uma monarquia, por outro lado, o talento e a inteligência recebem uma defesa natural e um apoio de cima. Em primeiro lugar, a posição do próprio monarca é muito elevada e firme para que ele tema qualquer tipo de competição. Em segundo lugar, o monarca gere o Estado mais por sua vontade do que por sua inteligência; pois nenhuma inteligência poderá atender igualmente a todas as demandas, muitas das quais exigem uma inteligência própria. O monarca, então, é compelido a estar sempre valendo-se da inteligência dos melhores homens. (…) O republicanismo é tão antinatural para o homem quanto desfavorável para a vida intelectual superior e, portanto, para as artes e as ciências.

São palavras de Arthur Schopenhauer, em 1851, citadas no documentário ‘Música e Monarquia’, de David Starkey, acerca da cultura dos Estados republicanos, a qual, devido ao conflito de poder que predomina na consciência social, em geral, tende a ser ordinária e nivelada por baixo.

A música é apenas uma área em que os monarcas hereditários, mesmo que alguns não sejam excepcionalmente talentosos, consistentemente reconhecem e recompensam os melhores de seus países.

O insight de Schopenhauer demonstra por que esse é o caso.Apesar de ateu e um oásis do realismo nos idos do idealismo filosófico e materialismo científico, Schopenhauer intuía que a Monarquia era naturalmente a mais adequada das formas de governo.

Verdade seja dita, os vícios do jogo político nunca serão extirpados da vida terrena. Mas nas sociedades republicanas a trapaça, a invídia, a ira, a cobiça e toda sorte de perturbação de espírito se tornam a essência ontológica da sua relativa e material cultura. Tudo açulado pela guerra ao poder! A premissa é que a maioria é primitiva, irracional e emocional. O comportamento de maioria massificada, insuflado pelo demagogismo como método de lideranças republicanas, destrói a identidade individual para dar vazão à personalidade do homem-massa: o homem transformado como coisa instrumental coletiva pela falsa legitimação do poder eleito.

As repúblicas constitucionais, democráticas ou ditatoriais tendem a promover, em maior grau, os piores vícios por influência do próprio meio conflituoso. E o cidadão republicano tende a ser espiritualmente perturbado: sempre preocupado com as incertezas e confusões políticas.

O próprio cuidado consigo mesmo, com a família e nação, essa como extensão comunitária de valores e costumes próprios, é preterido como senso de dever, às vezes até em absoluto, para dar vazão às suas idolatrias emocionalmente corrosivas e predileções ideológicas idiotizantes.

Em contraponto, seja pela influência do indivíduo nacional, ou pela própria figurehead monarca, a busca pela excelência moral e intelectual como todo é impulsionada naturalmente nas sociedades monárquicas, dado o desinteresse contínuo pelo conflito político que impera na cultura.

Ou seja, o indivíduo tende a ser e a permanecer civilizado em sua predominante preservação pessoal, familiar e nacional, integrado como elemento funcional de promoção da excelência ao país. Porque a alta cultura das Monarquias são fincadas, de antemão, na persecução das virtudes.

Nas virtudes cristãs, em especial, institucionalizadas pela referência moral das Casas Reais; pois, de um modo oficial, são dirigidas e objetivadas, por razão de sobrevivência, à manutenção da legitimidade, que advém da herança histórica e se mantém pela continuidade dinástica.

Dois elementos que as Casas Reais só conseguem manter por meio da conservação dos valores que justificam a identidade nacional (história e tradição), conferindo, por consequência e constantemente, o espírito de unidade, integridade, ordem e zelo às coisas da cultura nacional.

Inobstante os vícios notáveis de figuras históricas de certas monarquias, jamais a “virtude subversiva” (relativização da moral e da inteligência) se estabelecera como regra de legitimação do poder, situação que é promovida pelos discursos demagógicos das ideologias republicanas.

Os partidos republicanos tendem a desprezar a orientação histórico-tradicional da nação e, portanto, as expressões individuais de excelência para dar lugar de primazia aos interesses de poder do Partido, interesses que são justificados pela “nova tradição nacional”, a ideologia.

As Casas Reais, por si só, jamais dirigirão a sua nação por uma proposta ideológico-dedutiva de sociedade, isto é, teorizada diretamente de mentes autoritárias que se autoatribuem o monopólio do conhecimento triunfalista; a não ser que, por ora, seja coagida por poderes alheios.

A alta cultura – as artes plásticas (arquitetura, escultura etc.), a música e a literatura – atingiram o ápice da sofisticação sob o esteio do monarquismo, realismo, cristianismo e tradicionalismo; já as barbáries humanas, sob republicanismo, idealismo, ateísmo e progressismo.

“O que é verdadeiro, justo e belo não é determinado pelo voto popular. As massas em todos os lugares são ignorantes, míopes, motivadas pela inveja e fáceis de enganar. Os políticos democratas devem apelar para essas massas para serem eleitos. Quem for o melhor demagogo vencerá. Quase por necessidade, então, a democracia levará à perversão da verdade, da justiça e da beleza. A democracia praticamente garante que apenas homens maus e perigosos chegarão ao topo do governo.” – Hans-Hermann Hoppe

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