Desenvolver a virtude e constituir uma nobreza virtuosa

La verdadera nobleza consiste en la virtudCervantes

Quanto mais ilustre for a origem mais se distingue pela virtude e quanto mais alta for a posição tanto mais obrigação decide ficar ao próximo pelo exemplo. Santa Edwiges

Alguém pode questionar a necessidade de se ter um corpo de nobreza em um país. Bem, ao observar a baixa qualidade humana de nosso parlamento, as vilezas, a falta de virtude, a moralidade rasteira e dubia, bem como a ignorância, rapidamente perceberemos a necessidade de melhorarmos as aspirações humanas e a qualidade de nossos representantes.

O governar pelo exemplo, de D. Pedro II consistia em ser esse elevado exemplo de vida pública que inspira todo um país a melhorar, a fazer as coisas com excelência, desde a vida escolar, até cuidados pessoais, boa fama e vida profissional.

A primeira coisa que um grupo de detratores comunistas faz é destruir a imagem pública do oponente porque, em última análise, a ruína do modelo traz desesperança e joga a todos num patamar de moralidade enlameada e igual nas misérias humanas, sem esperança e beleza, talvez por isso, em tantas áreas da vida humana, música, audiovisual, artes plásticas, arquitetura e urbanismo, tudo que se vê é feiura, o homem está cada vez mais perdendo a capacidade de construir o belo, porque não há beleza dentro dele.

Reconhecer a nobreza de alguém, bem antes de arrogar a esse alguém pomposos distintivos com finalidade de exercer a soberba perante os outros, é reconhecer um trabalho ou tarefa realizado com primor, competência, coragem, abnegação e outras nobres disposições.

Logicamente um título de nobreza só faz sentido quando aquele que o recebe reconhece no concedente autoridade real, dinástica, eclesiástica, paternal ou maternal, acadêmica para fazer a entrega.

Não é apenas uma questão legal (títulos acadêmicos regulares do ensino público) ou política decorrente da legislação pátria. Como exemplo temos títulos dinásticos de casas milenares cuja nobreza não se submete à secular regra republicana ou regional.

Assim, um Príncipe continua sendo nobre, apesar do poder constituído no país não reconhecer títulos como política de Estado. Um Conde da Igreja Católica por serviços prestados à cristandade (e. Conde Cândido Mendes) continua sendo conde, apesar de não existir monarquia no Brasil, títulos de casas reais estrangeiras concedidas no âmbito de ordens, de Grão-Mestre, Comendador, Marquês, Barão, Embaixador, etc, continuam valendo, entre as partes e todo aquele que reconhecer o título como um signo de virtude, que por óbvio não pode ser desacompanhado de atitudes nobres.

A própria doutrina nobiliárquica portuguesa menciona “crimes destruidores de nobreza”. Ou seja, um título desacompanhado de um viver virtuoso nada mais é do que uma coisa sem valor real, no entanto um viver virtuoso automaticamente torna nobre o indivíduo. Precisamos restaurar na sociedade estes reconhecimentos, como alvos a alcançar no desenvolvimento de uma sociedade de excelência.

Basta olhar o nível do Senado no Império e o atual para entender aonde se quer chegar. Altos cargos de um país na mão de pessoas desprovidas de retidão nada mais é do que opressão pura e simples.

No caso na monarquia brasileira e a doutrina de que “os títulos não se transmitem e que a república acabou com a nobreza” temos a questão dos títulos em poder da Casa Imperial concedidos por serviços prestados ao país e reconhecimento.

Esses podem não ter valor para deferimento de benefícios legais, oriundos da administração pública, mas é óbvio que se a Família Real quisesse reconhecer serviços prestados ou qualquer benesse que lhes tenha sido feita por outrem, podem sim, como príncipes e altezas reais, concederem o que lhes pertence: reconhecimento pessoal, honra, título de nobreza.

Assim, famílias que possuem tradição de bons serviços ao reino, à sociedade, à igreja, agora tem que ter sua nobreza negada ou diminuída por causa do “nivelamento por baixo realizado pela república”? Não parece correto.

Talvez isso explique os baixos padrões morais, a falta de modéstia das pessoas: a falta de exemplo ou de um corpo de notáveis em quem se espelhar, um corpo de nobres (por feitos, por excelência nos negócios, por atos de coragem, por gerações de serviços prestados ao país) para usar como referência ou ideal. A falta causa até a desesperança, pois não há quem reconheça as boas obras, as distinções decorrentes de um comportamento reto.

Como destaca Luiz Viana Filho, no prólogo da obra de Rui Vieira da Cunha “O parlamento e a nobreza brasileira”:

O Brasil, a exemplo de outros países da América, não teve Idade Média, mas recebeu de Portugal a influência da nobreza europeia e, também, a herança de valores culturais daquela época. A formação do corpo da nobreza brasileira foi reflexo do modelo europeu de estratificação social: os nobres lutam e governam o clero reza e o povo trabalha. A nobreza brasileira teve também os matizes em que se diversificavam a origem e o mérito: nobreza militar, inerente à certos graus militares; nobreza de espada, adquirida originariamente por atos de bravura pessoal na defesa de instituições e personalidades; a nobreza de raça ou de linhagem e a nobreza de vestes, adquiridas no desempenho de relevantes ofícios. A nossa nobreza foi praticamente titulada por cartas conferidas pelo imperador e entre seus agraciados distinguiram-se os que tiveram assento no parlamento, órgão máximo de representatividade nacional e mostra mais significativa das classes dirigentes e intelectuais da nação. A partir do primeiro título concedido em 1822 por Dom Pedro I, ao Barão da Torre, mil títulos de nobreza foram dados no Império e entre os agraciados destacaram-se os parlamentares que participaram da formação da nacionalidade, mesmo após a proclamação da República“.

Ou seja, títulos em poder da Família Real brasileira continuam com eles, para darem a quem quiserem, porque têm nobreza, são parte da nobreza mundial, suas casas reais, assim como outras casas nobiliárquicas são nobres há milênios. E no caso do Brasil, não é a lei de uma república nascida de um golpe baixo que tirará o direito pessoal da Casa Real, tampouco de nenhuma outra casa real existente.

Fato é que o brasil carece de grupo de pessoas civis que busque a virtude como fatores melhoria de um pais. Um modernizado corpo de “cavaleiros templários” no que tange à virtude e defesa dos valores ocidentais, da cristandade. Não estamos falando de armas, nem de espadas, mas de valores.

Por fim:

“A vida de quem se engaja na perseguição desse alto e puro ideal se permeia de um combate estrênuo, de todas as horas, que se positiva ao desabrochar das boas obras” Rui Vieira da Cunha

(…)

“na moral que se cristaliza o mais alto sentimento do dever” Kaj-Birket-Smith

Há quem busque a nobreza no Direito, na vida pública, profissional, eclesiástica. Logicamente que um republicano, comunista ou qualquer doutrina política secular não almejará essas atribuições.

No caso dos monarquistas, estes reconhecem estas láureas e este é o diferencial na situação destes, pois que valor haveria num título concedido por alguém que se despreza ou não reconhece a autoridade do concedente.

Assim, títulos familiares da época do Império só tem sentido de uso em quem reconhece a nobreza do outorgante, daí o uso de títulos de nobreza pro memória ou no âmbito de alguma ordem dinástica.

Diante do panorama atual, parece muito oportuno e adequado retomar esta tradição para incentivo na construção do país que se deseja, como uma antecipação do resultado pretendido pelo país: de reconhecimento de mérito, de virtude e plenitude do potencial humano que é a verdadeira nobreza.

Observando o rumo brutal, modernista que o mundo e relações humanas tomaram, surge uma necessidade quase física de voltar ao passado aonde havia certa modéstia, recato, virtude, elegância, discrição.

Os feitos heroicos e resultados usufruídos pelos brasileiros até hoje de atos do Barão e do Visconde do Rio Branco, Barão de Mauá, Marquês de Herval, Duque de Caxias e tantos outros poderão ser melhor honrados. Suas descendências são nobres? Ora claro que são! Mas qualquer pessoa pode se alistar e defender seu país…sim!

Professores, artistas, empresários são agraciados até hoje no Reino Unido, com títulos de Sir e Lady na Inglaterra por esta razão: seus feitos enobrecem o país.

É necessário o quanto antes recuperar o costume de reconhecer a virtude, de fazer coisas com primor e grandeza. É esta nobreza que desenvolve o país. São nobres porque trabalham para os outros e pelo país, não para ostentar uma honraria qualquer.

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