Linguagem telegráfica no jornalismo

Característica de suma importância na atribuição de credibilidade e uso informativo de um texto é o uso da linguagem noticiosa e telegráfica, colocando os fatos mais importantes, narrativos e noticiosos para cima no texto e os que não interessam tanto em termos de notícia para o final, aproveitando-se a tendência do brasileiro de só ler a manchete e o início do texto.

A linguagem jornalística entendida e acreditada como noticiosa e confiável tem esse atributo garantido, pelo uso, além das seis perguntas (O que?, Quem?, Quando?, Onde?, Como? Por que?) e da pirâmide invertida (colocando-se os elementos mais noticiosos para o início do texto) do uso do estilo telegráfico.

O “estilo” refere-se à forma pela qual o autor passa a mensagem, de maneira a desenvolver um trabalho especial com a linguagem por meio da arte literária.

Ainda, na redação jornalística devemos esquecer o uso de ponto e vírgula, o que é incômodo por aqueles que tem apreço pela pontuação clássica, mas é o que define a almejada “credibilidade jornalística”.

Some-se a esses elementos a “fonte confiável” e o “ouvir a outra parte”, bem como especialistas e pronto: um excelente texto jornalístico altamente noticioso.

O  adjetivo “telegráfico” define o estilo pela eliminação de determinados elementos,  como artigos, conjunções, preposições etc. que, mesmo sendo suprimidos, não trazem prejuízo de compreensão do discurso, ou seja, mesmo sem esses elementos, ainda se permite o perfeito entendimento por parte do leitor.

Como exemplo, escolhemos uma notícia e um texto da querida Bruna Di Pieri (Terça Livre):

 “Doria sacrifica economia, mas taxa de isolamento não cai durante ‘fase emergencial’

24 de março de 2021 12:29

Por um índice de isolamento social que não caiu no estado de São Paulo após o início da fase emergencial, o governador João Doria (PSDB) continua sacrificando empresas, comércios e deixando famílias sem possibilidade de prover seu sustento.

Dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Sistema de Monitoramento Inteligente do governo estadual — que atualiza diariamente o índice de adesão ao isolamento em SP — mostram que a taxa de isolamento não saiu do lugar uma semana após o início das medidas ainda mais autoritárias e restritivas.

No dia 15 de março, quando a fase emergencial entrou em vigor, o índice de isolamento  era de 43%. Ao longo da última semana, variou entre 43% e 44%. Na segunda-feira (22) seguinte, o índice seguia em 43%.

A expectativa do governo era elevar o índice de isolamento social para mais de 50%. No sábado (20) e no domingo (21), o isolamento até chegou a subir para 47% e 51%, respectivamente no estado, mas voltou a cair quando a semana começou.

O governador não assume a falta de sucesso em suas medidas e o comitê de combate ao vírus chinês já fala em prorrogar por mais 15 dias as medidas da ‘fase emergencial’.

Os números de casos e mortes também não pararam de crescer e na terça-feira (23) o estado do governador tucano registrou 1.021 novas mortes, recorde em 24 horas desde o início da pandemia”.

E o texto de Ricardo Ramos como exemplo literário:

“Circuito fechado

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço. Relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos, jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia. Água. Táxi, mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. […]”

Apegando-se a este procedimento, evitando conspiracionismos e expressões vulgares (redação mais imparcial possível, pois apenas dizer a verdade atribuirá o peso necessário ao texto), chamando as coisas pelo que são, para que dia-a-dia a credibilidade de um veículo ou jornalista seja construída ou consolidada. Sempre é tempo de aperfeiçoamento.

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