O povo mais ingênuo

Por Liam Bourn

Cidadão brasileiro. "Os homens não podem melhorar uma sociedade ateando fogo nela: precisam buscar suas antigas virtudes e trazê-las de volta à luz.“ R. Kirk 

O brasileiro é um dos povos mais ingênuos e sugestionáveis do planeta. Entenda ingenuidade como formular juízos temerários com base em atos primários e aparências ligeiras.

Ele acredita nas apresentações exotéricas dos personagens do teatro político do país. Isto é, ele não consegue perscrutar os potenciais interesses por detrás do agente político e perquirir os objetivos esotéricos por meio de inferências e deduções de premissas que podem ser extraídas do encadeamento de informações que estão conectadas inexoravelmente ao indivíduo.

Tem-se um comunista que, a um, foi há trinta anos vinculado a um partido revolucionário que foi responsável por guerrilha e terrorismo dos Anos de Chumbo, e que, a dois, está umbilicalmente ligado a agentes corruptos e grupos supranacionais de fim imperialista de narcoditadores.

Tem-se cleptocratas, homens sem princípios nacionais e ideais políticos, fitados apenas em dinheiro e mais dinheiro, que, antes, por conveniência, aceitaram se associar a revolucionários institucionais e culturais, mas que, hoje, se aproximam sedutoramente de outros bonachões…para engoli-los a fim de que alcancem o objetivo da reforma institucional do Estado para um regime fictício de democracia, mas que na verdade concretizará no estabelecimento legitimado da sonhada ditadura oligárquica com o velho e hipnótico jogo das tesouras sobre a massa ignara.

Mesmo diante disso, o povo finge que todos esses elementos são irrelevantes e que o jogo teatral das declarações públicas e oficiais são as mais sinceras e reais intenções desses agentes políticos.

“Ele não é mais comunista e admirador de Mao, porque ele declara amor à Amazônia“, “Ele não é mais aquele arrivista que antes aceitou até vender o corpo“, “não é mais aquele dworkiniano pró-aborto“, “não é mais aquela plagiadora“, “não é mais aquele Blue Helmets ongueiro pró-desarmamento“. Se ele quer ser nosso amigo, ele merece andar na nossa casa e comungar conosco.

É a típica ingenuidade do boçal político, seja ele político, acadêmico, militar ou burocrata, ao qual os atos e palavras públicas dos outros, todas, são verdades presumidas, até que as provem o contrário. Para o distraído, currículo, ideologias e partidos já não têm importância.

Ele acredita piamente que ideologias e afins, hoje, são meros detalhes antiquados e estéticos da burocracia cotidiana, que lá estão só por razões proforma. O ingênuo presunçoso faz da sua ignorância o próprio argumento de autoridade.

Ora, ele quer se mostrar sofisticado…e conquistar a aprovação da maioria como meio e fim de vida. Acreditar em uma “teia conspiratória” dita por uma minoria de curiosos, que é ridicularizada pelo forçado, e reforçado “senso comum da Mídia” (financeiramente dirigida a ser transformadora social), é vergonhoso para si.

Logo, o raciocínio linear e formal do crédulo gostosão sempre é a posição mais fácil a se tomar por razões de vaidades e aceitação social (espiral do silêncio). E digo que essa ingenuidade não é só popular, mas predominante nos apavonados e acomodados das altas classes do país.

Por @LiamBourn on Twitter.

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