Afinal de contas, essas “putas” são nossas

Por Gerson Paulo

“A puta, antes de vender o corpo, vendeu a dignidade em infinitas prestações” (Diego Magalhães).

Não é surpresa para o leitor saber que palavras de baixo calão fazem parte do cotidiano de milhares de pessoas, bem como estão presentes em diversas culturas. Inclusive, balizadas vozes sustentam se tratar de expressões utilizadas para traduzir ou mesmo demonstrar com maior fidelidade os mais fortes e genuínos sentimentos humanos como raiva, caracterizar interjeições bem humoradas ou podem até mesmo ter o intuito de ofender alguém.

Aos respeitáveis amigos que têm acompanhado nossas publicações, em um primeiro momento e com toda razão, podem estranhar o título deste breve artigo, porém nos permita, antes de alcançar o mérito desta proposta reflexiva, tranquilizá-lo de que não vamos aqui baixar o nível de nossas reflexões políticas. Daí o porquê de pedirmos para que a leitura do texto seja feita de forma crítica e imparcial. Não estamos procurando ser ofensivo aos leitores, apenas conscientizar a sociedade da realidade política nefasta a que estamos escravizados no Brasil.

Seguindo a linha de pensamento que aqui nos propomos, não é novidade lembrar que a palavra “puta” é uma forma de tratamento vulgar dispensada a garotas de programa, prostitutas, ou algo do gênero. Essa é a regra popular, no entanto, e isso é importante registrar, a referida expressão é o nome dado à “deusa menor da agricultura” que, na mitologia romana, presidia a poda das árvores. Para outra corrente de pensamento, a etimologia da palavra “puta” viria do latim, provinda do verbo “putare” e seu significado literal seria podar, cortar os ramos de uma arvora. Muitos são os derivados de “putare” em nossa língua, como amputar, computar, computador, “deputado”, putativo, reputação.

Abstraindo-nos da controvérsia ante a sua irrelevância para o propósito de nossa reflexão, o que a literatura informa é que sua origem possivelmente estaria nos festivais, onde se celebravam a “poda das árvores” e, durante estes dias, as suas sacerdotisas manifestavam-se exercendo um “bacanal sagrado” (durante o qual se prostituíam) em honra a deusa, o que explicaria o significado corrente do termo “puta” em muitos dos países de língua latina.

Pois bem, essas informações são-nos suficientes para uma boa compreensão das alternâncias políticas que envolvem as principais agremiações partidárias que circundam o plano político de nosso país, em especial: o PT, PMDB, PSDB, PPS, PP, bem como a nova sigla PL (Partido Liberal), do ministro Gilberto Kassab, que servirá como apêndice do PSD ou, como se comenta nos bastidores políticos, possivelmente um novo corpo para um partido em estágio de desapego do plano político.

Definida a hipótese de incidência de nossas reflexões, entendemos importante chamar atenção para o momento político singular vivido pelo PT de Dilma Rousseff que, aliás, carece de registro na história da política nacional e internacional: uma presidente esvaziada de “apoio político” e “credibilidade” para governar uma nação. Inclusive, ventila-se pelos noticiários da vida que em festa organizada por Marta Suplicy, petista mais oposta a Dilma, onde entre seus convidados estavam grandes nomes como Michel Temer (PMDB), José Sarney (PMDB), Gilmar Mendes (Min. do STF), Eduardo Braga (ministro de Minas e Energia do governo PT), foi dito pela maioria das bocas presentes que Dilma precisa se acertar com a população brasileira até o dia 12 de Abril, pois caso a manifestação seja maior que a anterior, “eles vão assumir o poder”.

Reparem bem amigos leitores, vou repetir: membros do próprio PT, PMDB, PSDB, PPS, etc., reunidos numa mesma confraria, afirmaram que “vão assumir o poder” caso as manifestações democráticas tomem vultosas adesões, tornando ainda mais insustentável a (des)governabilidade. Se isso é verdade ou não, o fato é que essa afirmativa nos chama atenção para uma passagem do “Contra Neera”, obra apócrifa atribuída a Demóstenes, que coloca as seguintes palavras na boca do famoso orador ateniense: “Temos cortesãs para nos dar prazer; temos concubinas para com elas coabitarmos diariamente; temos esposas com o propósito de termos filhos legítimos e de termos uma guardiã fiel de tudo o que se refere a casa”.

Mesmo que admitamos que a nossa realidade político-partidária não corresponda ipso litteris a esta versão caricatural, não deixa de ser verdade que as nossas atuais agremiações partidárias não reprovavam, corriqueiramente, o recurso à prostituição política. A cada dia que passa fica mais difícil entender o que é ser político no Brasil. Digo político na essência semântica da palavra. Nós estamos assistimos a derrocada de convicções, certezas, ideais e posturas tomadas no passado como verdades. Aliás, se reuníssemos todas essas agremiações de esquerda numa só confraria formaríamos uma situação partidária inédita na história política do mundo, cuja sugestão de sigla poderia ser PSN (Partido da Suruba Nacional).

O hoje tão desprezível PT, mesmo o PMDB, o PSDB, o PPS e outras querem ser, em alguma esfera e em algum momento, “governo”. Se o preço para isso é antes de vender seus corpos políticos, venderam suas dignidades em infinitas prestações, ninguém parece incomodado o suficiente para rejeitar tais condições. É exatamente o que estamos assistindo nessa complexa relação prostituta envolvendo o PT/governo, o PSDB, o PPS, o PMDB (e até mesmo o PP de Paulo Maluf). Os dois últimos – PPS e PMDB, especialmente – são partidos fisiológicos, ou seja, verdadeiras putas políticas – prestem bem atenção em minha colocação técnica, pois eu falei “putas políticas” e não “putas literais”.

O que tanto o PMDB como o PPS e outros buscam nessas infinitas prestações são cargos e benefícios. Nada mais. Não há por parte deles um compromisso moral, cívico ou mesmo patriótico. Se a meretriz PT sair do poder, não mais terá o que oferecer a ambas as agremiações, que, consequentemente, oferecerão seus serviços promíscuos para o próximo que chegar. Não se pode esquecer que aqui, a final de contas, o que se tem são cortesãs; concubinas e esposas.

A outro giro, o que muito tem preocupado a população brasileira, inclusive vem sendo matéria de acirradas divergências entre “impeachmentistas” e “intervencionistas”, é quanto à assunção da administração do Brasil em caso de agravamento da crise. Na primeira hipótese (impeachment), que é a que aqui merece destaque, uma vez cumprido o lastro probatório, dentro da regra constitucional, seria a vice-presidência (PMDB), caso não, a presidência da Câmara dos Deputados (PMDB). Em outras palavras, e esse é o motivo da insatisfação, trocaríamos a “cortezã” pela “puta”. Qual seria a vantagem política para nosso solapado país?

Trocando em miúdos, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Que sinuca de bico! Daí a nossa preocupação se o “impeachment” é realmente vantajoso para o país. Por outro lado, e isso é importante destacar, a guerra travada entre PSDB e PT é meramente por poder, ou seja, definir quem será o gerentão da tão propalada “nova ordem” política e econômica socialista. Ambas as agremiações são, sem medo de errar, despudoradas de qualquer espírito público e adeptas de uma concepção ideológica esquerdista descompromissada com a valoração da dignidade social, uma um pouco mais moderada e outra radical.

Lembremos que ao assumir o governo, primeiro através da pseudo social democracia tucana, em seguida pelo socialismo sindical e universitário petista, tais alternâncias de forças políticas, que em suas origens sempre nutriram inspirações revolucionárias, nacionalistas, anticapitalista e flagrantemente violenta, apenas foram migrando para uma versão modernizada, competitiva, globalizada, dispostas a arranjos “à direita” e “à esquerda” com as mais variadas vertentes organizadas, contudo nunca perderam seus objetivos estatizantes e de transformação social a qualquer preço.

Uma coisa é constatável ao “modus operandi” de qualquer dessas agremiações, inclusive o tempo que estão no poder é mais do que razoável a nos convergir as seguintes conclusões, o carro chefe de seus projetos políticos é a desonestidade intelectual, a mentira, a demagogia, o descompromisso ético e moral, o clientelismo, a corrupção, a maledicência, o assassinato das esperanças sociais, o déficit de espírito público, a traição, o antipatriotismo, e um etecetera gigantesco de outras anomalias político-partidárias.

Em anos eleitorais, como Jocasta que ofereceu os seus serviços a Édipo, seu filho, por ter decifrado o enigma e vencido a Esfinge, assim também nossas cortesãs nos seduzem aos seus serviços de barba, cabelo e bigode para logo em seguida podar nossas esperanças, reputações e dignidades. Em suma, querendo ou não, gostando ou não, a verdade é nua e crua […] essas putas são nossas (risos).

Resume acertadamente Ediel:

“A POLÍTICA E A PROSTITUIÇÃO SÃO OS ÚNICOS EMPREGOS QUE NÃO EXIGEM EXPERIÊNCIA ANTERIOR”.

Eu iniciei e encerro minhas reflexões colacionando os pensamentos de meu irmão e amigo Diego Magalhães, litteris:

A PUTA QUE ME PARIU
Brasil, tu és a puta que me pariu.
Sou teu filho registrado em cartório,
Eu fui batizado no teu velório,
Com lágrimas amargas do teu cantil.

Cresci vendo a fé do povo em oratório,
Rezando de joelhos um amor ardil,
Como se Deus fosse filho do Brasil,
Sem saber que vive num purgatório.

Já adulto, seduz-me à putaria.
Jocasta que fura os olhos de Édipo
Trepando com Laio na escadaria.

Como modificar teu estereótipo,
Se és modelo de outra confraria?!
Remorras! Renasças novo protótipo!

SÓ DEUS PARA SALVAR A NAÇÃO BRASILEIRA DESSAS ABOMINAÇÕES POLÍTICAS !!!

Na estreia de Gerson Paulo, advogado, político e escritor, em nosso site, um texto de opinião. Esperamos que gostem e deixem seus comentários.

Um comentário sobre “Afinal de contas, essas “putas” são nossas

  1. Boa a reflexão, pois nós leva a pensar que desde de a poda das árvores e a sacanagem das sacerdotisas nada mudo o Brasil é realmente um país de putas na área política.

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