O esquerdismo e a magia negra

Por Liam Bourn on Twitter @LiamBourn

As ideologias, dado o seu materialismo, sempre pregaram que a religião é um mal ao homem, especialmente a cristã, nos dizeres de Karl Marx. Embora, curiosamente, os seus adeptos sempre se mostrarem simpáticos às práticas de ocultismo e feitiçarias.

O prodígio adolescente Marx era um cristão dedicado e, inclusive, sua primeira publicação literária foi ‘A União Fiel Com Cristo’. Depois, na pós-adolescência, Marx se torna, além de profundamente antirreligioso, anti-Deus. Pelos seus poemas, percebe-se a sua sede de destruição do mundo, desafiando Deus de modo a até jurar a usurpação do trono divino.

Um de seus poemas é nomeado de ‘Ulanem’, um anagrama de um dos nomes de Jesus, Emanuel (Deus Conosco), em que diz: “Quero vingar-me daquele que reina lá em cima”. Em ‘O Jogador‘, o príncipe da Esquerda diz:

“Os vapores do inferno sobem e enchem o cérebro, até que fico louco e meu coração muda muito. Vês esta espada? O príncipe das trevas ma [sic] vendeu. Para mim ele marca o compasso e dá os sinais. Cada vez mais atrevido danço a dança da morte.”

Em Invocação de Alguém com Desespero, Marx disse: “Construirei meu trono lá em cima, frio e tremendo será o seu ápice. (…) Então poderei caminhar triunfante, como um deus através das ruínas do reino deles. Cada palavra minha é fogo e ação. Meu peito é igual ao do Criador”.

Todas as ideologias, como revolucionárias que são, objetivam a desordem político-social para que, do caos, uma nova ordem utópica possa ser erguida ab initio sobre os escombros do passado. Os revolucionários, tal como o diabo, usurpam a obra divina porque estão inconformados com ela e, depois de destruí-la, assumem o lugar de criadores do novo mundo, de modo a antecipar o paraíso celeste.

Eric Voegelin batizou esse espírito de revolta de ‘imanentizar a escatologia’, a pretensão diabólica de querer antecipar o paraíso na terra. Esse espírito foi teorizado de forma incipiente por Marx, inspirado pelo Iluminismo francês, consolidada, depois, pelos frankfurtianos como Dialética Negativa.

Foi na obra ‘Décimo Oitavo de Brumário‘ que Marx fez tal declaração: “a crítica impiedosa de tudo o que existe”. Aliás, foi nesta obra que ele disse: “O primeiro dever da imprensa é o de minar as fundações do atual sistema político.”

As palavras de Marx, aliás, não são de sua autoria, mas uma inspiração em Mefístofeles, a entidade demoníaca da lenda alemã de Fausto. Essa entidade conferiu ao alquimista uma irrequieta força diabólica de cultuar o progresso acima de tudo.

Algo bem sugestivo e atual. Não obstante a “religião terrena” dos revolucionários pregarem que ‘Deus e o diabo não existam’, em 1974 o jornal estatal soviético Kommunisma noticiou que escolas da Letônia batizavam as suas classes de acordo com a idade dos alunos, na seguinte ordem: “os pequenos demônios”, “os servos do Demônio” e “os filhos fiéis do Demônio”. Nos encontros escolares, crianças eram vestidas de vermelhos com chifres e rabos.

Imagem: reprodução internet

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