O Feminismo de Ibsen

Há poucos dias comemorou-se O DIA INTERNACIONAL DA MULHER. Em muitos países, entretanto, aquelas que se arrogam o título de feministas comemoraram a data queimando e vilipendiando igrejas. Em outras palavras, ofendendo a Jesus, Deus e salvador da Humanidade, Sua Mãe Santíssima e toda a riqueza que Ele nos legou e a Igreja preservou. Com tantos temas caros na vida de uma mulher, perder tempo destruindo o patrimônio da fé e da cultura num momento tão trágico para o mundo é no mínimo uma falta total de bom senso e respeito.

Não é preciso ser muito perspicaz para ver a desfiguração destas que se autointitulam feministas. Muitas pessoas lutam por uma sociedade sem Deus, mas aquelas que querem viver diferente precisam ter os seus direitos garantidos. A liberdade de crença é um direito garantido pela Constituição Federal em muitos países, mas para um determinado grupo de mulheres as outras não contam. As mães, as esposas “belas recatadas e do lar”, as cristãs, as conservadoras ou quaisquer outras que discordem da pauta ideológica feminista são atacadas sem dó, nem piedade.

A Ministra Damares foi humilhada publicamente por ter revelado a triste história de violência sexual que sofreu na infância e posterior tentativa de suicídio, impedida por uma visão de Cristo sobre uma goiabeira. Não lembro de nenhuma feminista tê-la defendido, apesar do estupro ser um de seus temas preferidos. Não há feminismo para todas as mulheres. Ter cabelo no braço, ódio à beleza, ao homem, tirar a roupa “para protestar” e enfiar cruzes em seus corpos traduz um comportamento minoritário que não representa ninguém, nem elas mesmas.

E o que dizer do aborto, a pior e mais nefasta escolha que uma mulher pode fazer? Quem pare para ouvir depoimento de alguma mulher que tenha passado por isso, sabe que o arrependimento é certo. E necessário. Não há como defender tamanho crime, nem com meias-palavras cínicas que dizem: “é uma massa de células“ e não, um “ser”. Ora, mas se vai virar um ser e alguém impede é morte do mesmo jeito. E este é o ponto: a cultura da morte, outra agenda falsamente feminista para agredir a essência da mulher. Cristãos entendem bem a origem deste assunto.

Em meio a todo o cenário desolador em que vivemos, resolvi alimentar minha alma com algo que vale a pena: a arte. Parti para um destino certo e não me arrependi; Ibsen é uma excelente companhia. Ele constrói o universo dramatúrgico expondo a hipocrisia social e a falsa moral daqueles que se julgam superiores, mantendo a leveza apesar da verdade. A obra em referência é Casa de Bonecas, cuja protagonista é a bela e jovem Nora, casada com o advogado Torvald Helmer e mãe de três filhos. Ibsen gosta de retratar a família em seus dramas.

Helmer acaba de conquistar um alto cargo num banco que lhe trará prestigio, poder e um salário abastado. Sua “cotoviazinha” (apelido de Nora) está cheia de alegria e orgulho. O casal é apaixonado e vive uma vida feliz. Nora é ingênua e não sabe nada da vida, mas a realidade a encontra como faz com todos. Uma antiga amiga, a senhora Linde, acaba de ficar viúva e está em situação difícil. Procura Nora para ajudá-la, pedindo uma oportunidade de trabalho para seu marido, que a atende prontamente. A presença dela permite que Nora divida seus segredos.

Ela endividou-se com um agiota de péssima reputação, conhecido por fazer “negócios escusos”, para salvar a vida do seu marido. Nora custeou uma viagem deles para a Itália para recuperar a saúde de Torvald, porém mentiu para ele dizendo que o dinheiro foi emprestado por seu pai. Torvald nem pode desconfiar dos deslizes de sua esposa, pois é excessivamente moralista. Nora é um alvo daqueles que almejam vantagens de seu marido e seu agiota é justamente um deles. Krogstad foi demitido por Torvald e em seu lugar vai ficar a senhora Linde; ele quer que Nora ajude-o a reverter esta situação.

Numa conversa a dois, Nora se perturba com as opiniões intransigentes do marido sobre a vida e passa a se sentir culpada pelas escolhas que fez. Torvald acredita que a família é amaldiçoada quando vive “numa atmosfera de mentira” e conclui que como advogado, pôde perceber que “quase todos os jovens envolvidos com crimes tiveram mães mentirosas” Nora passa então a pensar em suicídio e a viver sob a pressão de ser dedurada por Krogstad, o agiota. A vida da protagonista passa por uma grande transformação: a Boneca está virando mulher.

Ibsen fecha o cerco em torno de Nora até o clímax da história. Nora dança para Torvald, revelando uma inquietação e intensidade que o incomodam. Ele quer a mulher perfeita para ele e para exibir socialmente, mas Krogstad avança sem piedade sobre ela, ameaçando-a cada vez mais com uma carta para seu marido, até que a ameaça se concretiza. Nora pela primeira vez enxerga o homem com quem é casada. Puro realismo. O choque a que é submetida a transforma profundamente. A ideia de suicídio dá lugar à necessidade de se separar de alguém que não ama mais. Quanto feminismo.

A angústia da mulher que não pode errar, para não “desfigurar a imagem da Boneca” que o marido deseja. Um paradoxo muito bem delineado por Ibsen: durante toda a trama, Nora ama verdadeiramente seu marido a ponto de sacrificar-se por ele. A recíproca parece ser verdadeira, mas cai por terra no diálogo final. Nora então, perde a pureza de seus sentimentos e a substitui pela decisão de deixá-lo, chegando a dizer que não o ama mais. O mundo de Torvald desmorona e ele percebe que ela é uma mulher, humana, a quem ama e necessita de sua presença. Tarde. Ele agora quer um milagre.

A verdadeira arte deixa a sua marca. Ibsen atinge a alma feminina em cheio, proporcionando uma experiência humana enriquecedora. Ousaria dizer que tanto o homem, como a mulher amadurecem um pouco mais diante do conflito de Nora e Torvald. O verdadeiro conflito entre homem e mulher não tem nada a ver com ódio ou com tornarem-se inimigos, como hoje o feminismo prega. Ou o “ódio ao patriarcado” seja lá o que isso significa. Toda mulher quer ser amada e todo homem também, de formas diferentes e complementares. Bem, o “todo” é sempre um risco…

Ibsen surpreende a cada minuto, induzindo o pensamento do público para um lado, enquanto redescobre a história, por outro, enchendo-a de magnetismo. A reviravolta na vida do casal mostra que a mentira cobra seu preço, exigindo força e coragem para tomar o rumo certo. Viver um relacionamento superficial é um risco para ambos. Nora passa a encarnar outra personagem; a verdadeira feminista que vai ter que lutar muito para se (r)estabelecer-se sozinha e adquirir respeito por si mesma. Torvald por sua vez, olhar para dentro de si e ver quem realmente é. Ele e Nora terão uma nova chance?

Quem dera que todos os relacionamentos se iniciassem com pessoas maduras, inteiras, sem máscaras. Nenhuma mulher quer um feminismo de escândalo; o que toda mulher quer é conquistar seu lugar no mundo ao lado ou não, de um homem. Direito de amar, de ser mãe, de lutar, crescer, educar, realizar e ser feliz com as próprias escolhas. Este é o verdadeiro feminismo. O resto é ceninha de péssimo gosto.

Eu sou Bianca Montanas e esta é a coluna Arte & Reflexão, me siga no Twitter: @biancamontanas1, vamos conversar!

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