Conheça a Aurora Prime, a plataforma de streaming conservadora

Ian Maldonado inicialmente parecia apenas um daqueles perfis interessantíssimos do Twitter (@ianmdo), de pessoas criativas e produtivas. A plataforma (Twitter) apesar de tudo, ainda reúne e dá acesso a estas pessoas.

Depois percebi que, além de uma pessoa sensata e inteligente, Ian é ‘filmmaker’ desde 2013 e comanda a plataforma de streaming Aurora Prime. Inclusive, vem fazendo desde março o documentário: Lockdown – Uma História de Desinformação e Poder, cujo ‘teaser’ está no link.

Curiosa, comecei a acompanhá-lo e assinei a plataforma, dando uma ‘espiada’ no conteúdo da mesma. Gostei do que vi.

Diante da decepção com a plataforma censora Amazon Prime (que retirou o provedor da rede social conservadora Parler, em atitude monopolista) e a ocultista e outras “coisas piores”, Netflix, a Aurora Prime parece um oásis.

Existe uma plataforma católica em operação, mas confesso que achei que a visualização, contratação e acesso aos títulos bem difícil.

Na Aurora Prime não notei esses problemas, a plataforma é fácil, leve, de layout intuitivo e sistema de gestão de assinatura eficiente. Feita esta introdução, passamos às respostas de Ian, doravante identificado como I. M. Aproveite a conversa:

TSC: O que é a Aurora Prime, como você define este projeto?

I.M.: A Aurora é uma resposta. Veja: como antigamente consumíamos filmes em casa? Íamos às locadoras e procurávamos algo que prestasse — ou alguma obra específica. Se não encontrássemos, procurávamos em outra. Quando chegaram os serviços de streaming, pensamos: “Caramba! Agora terei finalmente um catálogo imenso à minha disposição 24h por dia…”. E, por algum tempo, foi assim, de fato. No entanto, tanto produção como distribuição hoje ficaram concentradas nessas grandes empresas e o problema é que, como fazem tudo pensando numa agenda, acabam decidindo o que podemos consumir.

Como costumo dizer, a Aurora Prime é uma plataforma de entretenimento para pessoas livres. Nada além disso.

TSC: O que os clientes podem esperar da plataforma?

I.M: Respeito, antes de mais nada. Jamais iremos subestimar a inteligência ou bom senso dos usuários. Além disso, não pagamos pedágio para ideologia alguma; acreditamos num arcabouço moral único e universal, baseado, sobretudo, naquilo que aprendemos através das gerações, pela tradição, que nada mais é que, como disse Chesterton, “a democracia dos mortos”.

Aqueles que propõem mudanças radicais de comportamento deveriam ser os primeiros a justificar tais mudanças. Eu não quero alterar nada.

TSC: Fale um pouco sobre você. 

I.M.: Sou um cara simples, nascido e crescido na Zona Leste de São Paulo, que estudou majoritariamente em escola pública, repetiu de ano por ser bagunceiro. Iniciei três cursos na faculdade e abandonei todos — se fosse hoje, jamais teria perdido meu tempo ou dinheiro com isso. Sempre amei o cinema, a arte e a beleza, mas aprendi o que sei sozinho, e então passei a trabalhar no mercado audiovisual. Colaborei em dois documentários (sempre na fotografia, edição, motion graphics ou sendo responsável pelo color grading), tendo filmado, inclusive, com vencedor de prêmio Nobel, em Harvard e Stanford. Fiz vários trabalhos institucionais, propagandas web, cursos e clipes musicais.

Por outro lado, sempre me interessei por política. Lembro de acompanhar ainda mais moleque, toda a ação penal 470 ao lado de meu avô, ajudei a organizar algumas das manifestações entre 2014 e 2016 e fui editor de blog. Me afastei por algum tempo da internet e voltei recentemente ao Twitter.

TSC: A plataforma é segura em relação a dados e constância no streaming?

I.M.: Sim. Existe sistema antifraude e jamais compartilharemos dados dos usuários.

TSC: É difícil formar acervo? Existe algum imposto ou direitos autorais pagos pela plataforma? O que se paga numa empreitada como essa, que o público não tenha conhecimento, além das despesas comuns empresariais?

I.M.: Ô se é. É preciso pagar os direitos às distribuidoras e, no caso das produções independentes, também fazemos contrato de tudo, podendo ou não ser renovado. Mesmo os filmes mais antigos que caíram em domínio público precisamos ficar atentos à legislação de cada país. Existem filmes que a versão americana, por exemplo, perdeu os direitos, mas a versão britânica, apenas com diferença no título, não. Há aqueles casos também em que os filmes vão para domínio público, mas a trilha sonora não.

TSC: A Aurora pode se tornar um YouTube ou Twitch? Caso positivo, em quanto tempo isso aconteceria?

I.M.: Dificilmente. Talvez apenas num futuro muito distante, pois precisaríamos de um servidor muito parrudo para tanto. Por ora, é uma plataforma de entretenimento: filmes, documentários e, muito em breve, séries e alguns programas. Em todos os casos consideramos também produzir originais, como hoje ocorre com os documentários que estão vindo por aí, logo logo. Isto é, teremos conteúdos adquiridos e originais. Temos como referência também a BlazeTV, que produz seus próprios programas para um público bem selecionado. Faremos isso, mas com os filmes e documentários também, além, como já mencionei, adquirir os direitos de outras obras.

TSC: Sofre muitos ataques na tentativa de derrubar a sua rede?

I.M.: Sinceramente, não. Em três meses de existência — e ainda estamos ajustando muitas coisas, criando app etc. — sofremos dois ataques. O primeiro foi de uma bolha do Twitter; o segundo, de uma senhorita que tentou nos “denunciar” para o Sleeping Giants, a Gestapo digital. Nem dou muita bola. Quem não paga pedágio é incancelável. Talvez só vou ter dimensão da irritação que um streaming como esse cause nas pessoas quando estivermos maiores — e ficaremos.

TSC: A postura dos Sleeping Giants lembra o “não compre dos judeus” e eles ainda ostentam isso. Como você se define politicamente?

I.M.: Sou conservador. Não ligo para ideologias, pois todas acabam criando um distanciamento muito grande entre aqueles que as seguem e a realidade. Conservar boas tradições, repelir as más e progredir paulatinamente quando necessário, sem qualquer tipo de rompimento. Somos anões sobre ombros de gigantes e só existimos hoje por causa de nossos antepassados.

TSC: Você considera isso uma dificuldade em relação ao aumento dos títulos?

I.M.: Não. Para construir nosso imaginário precisamos de bons e maus exemplos. Não é uma plataforma “piegas”. Ademais, quando falamos em obras de arte, deve-se considerar a obra, não o conteúdo aludido. Jamais incluiremos, contudo, filmes criminosos como “aquele lá” que foi um prato cheio para pedófilos, em que meninas de 11 anos apareciam rebolando e fazendo “twerk”. Isso nunca.

TSC: O que você espera no futuro, deseja crescer deseja se tornar o primeiro no seu segmento ou planeja ficar como uma plataforma butique?

I.M.: Claro que não temos investimento nem apoio de qualquer ricaço, estamos fora do jogo das ‘big techs’ e, devemos lembrar, estamos no Brasil, mas a intenção é crescer e conquistar nosso espaço tanto quanto possível. Contamos apenas com a quantidade de assinantes, por isso é importante agora nessa fase inicial termos o apoio — e, de vez em quando, a paciência — dos nossos usuários para que possamos adquirir e produzir mais conteúdo. Somos pobres, porém arrumadinhos (risos).

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