Teoria do Agendamento: como o jornalismo manipula o debate público

Por Renata Araujo -14 de janeiro de 2021

A teoria do Agendamento é uma teoria na qual se discute o fato de que é a mídia que determina aonde se concentrará o debate público, manipulando a atenção das massas.

Em 1922 um jornalista político, Walter Lipmann escreveu Public Opinion, obra na qual defende que a predominância do poder está na mão dos grupos que administram a opinião pública. Assim, a mídia atuaria indiretamente para gerar imagens estereotipadas e factóides com o objetivo de manipular e direcionar a opinião pública.

Alguns anos depois (1970), aos termos da obra de Lipmann, somaram Donald Shaw e Maxwell McCombs aduzindo que de fato, a mídia determina quais assuntos farão parte das conversas durante o período.

Ex: “Eliminação em reality show, namoro de celebridades”.

Consiste ainda na crença que o público tende a dar mais importância aos assuntos que sofrem maior exposição nos meios de comunicação. McCombs e Shaw evidenciaram em suas pesquisas que a opinião pública era ditada pela mídia de massa, de maneira que “o que o público assiste dita a opinião pública”.

No Brasil tivemos um evento curioso.

Como só se falava de temas hedonistas e embriagantes na mídia, como: futebol, festividades, compras e ficção, isso era o que se falava na sociedade.

Assim, se construiu uma opinião pública que só falava de paixões e prazeres, no qual brasileiros, mesmo frustrados com a realidade, ainda agiam com otimismo mesmo diante das adversidades. Talvez porque creram no sistema ficcional aonde tudo dá certo no final; evitando toda e qualquer discussão profunda, sobre arte elevada ou leituras problematizantes. O brasileiro se tornou um hedonista radical.

Recentemente, por aumento na experiência religiosa evangélica e católica da população, e o “choque de realidade” que as atividades correlatas impunham: caridade, evangelismo, recuperação, visitas a hospitais e prisões, etc., aconteceu com as pessoas o que sempre ocorre quando se tem contato com a realidade.

O sistema de compensação religioso, oposto ao hedonismo mundano, proporcionou o despertar do brasileiro para a política e o conservadorismo, encontrando base na filosofia de Olavo de Carvalho e no trabalho sociológico de autores como o príncipe Luis Philippe de Orleans e Bragança (Por que o Brasil é um país atrasado?) e outras obras do período, de diversos autores, conservadores, liberais e alunos de Olavo de Carvalho (este parágrafo é importante para entender o processo iniciado em 2013 que culminou nas eleições de 2018).

Continuando no tema da formação da teoria, os estudos das eleições presidenciais de 1968 somaram ao desenvolvimento, tendo sido o estudo aplicado em fases:

1) Antes das convenções dos partidos;

2) No auge das eleições;

3) Durante as eleições.

Isto para comprovar que, além da exposição à mídia de massa, as relações interpessoais também influenciam no resultado. Daí a importância da experiência religiosa do povo brasileiro na mudança do cenário eleitoral em 2018.

Por sua vez, em 1972, no Charlotte Study, se confirmou que a mídia de massa funciona como engenharia social, manipulando a opinião pública de acordo com o conteúdo pinçado que ela expõe.

Após o Charlotte Study foram escritos diversos artigos e estudos.

O “agenda setting” (teoria do agendamento) tem o aspecto de determinar a pauta dizendo o que é importante para ser noticiado e o que não é. Dessa maneira, profissionais de comunicação agem como “gatekeepers” de informação.

Um gatekeeper define o que será noticiado, conforme relevância, linha editorial, narrativa do veículo, urgência, etc.

De fato, ter linha editorial parece lídimo; ter uma “narrativa do veículo estabelecida”, por exemplo “derrubar o governo”, não.

Exemplo de gatekeeper recente foi o fato da imprensa focar na tinta de cabelo de Rudolph Giuliani escorrendo durante coletiva, ao invés de relatar os graves fatos denunciados na referida coletiva de imprensa.

Outro ponto, focar na “checagem de fatos” (outro mecanismo de repressão e desinformação desenvolvido para manipular o discurso público) enquanto ocorria grotesca censura pelas “big techs” contra o New York Post, o jornal mais antigo dos E.U.A.

Na revelação de fatos comprovados refere-se ao laptop de propriedade atribuída, de forma tácita, a Hunter Biden.

Diz-se forma tácita, porque os fatos ali relatados foram comprovados. O que não se sabe ainda é como se reuniram tantas filmagens e provas dentro de um laptop? Seria fruto de ação de espionagem? Não se sabe, porque até a apuração da verdade foi impedida pela ação cartelizada da mídia e das big techs.

Da mesma maneira, ter notícias idiotas e irrelevantes para adultos pensantes na capa de um veículo, ocultando ou escondendo fatos importantes, é uma destas estratégias.

Não necessariamente dar prioridade à notícias irrelevantes mas sim, focar a sua atenção ao assunto que a mídia quer que você preste atenção.

A teoria do agendamento pode causar uma distorção na percepção da realidade por parte do público. Assim, a mídia pode manipular colocando “as viseiras” no que considerar necessário.

Este processo se dá em 3 níveis, com subníveis que serão conhecidos a seguir:

Quanto aos níveis temos:

1º Agenda Midiática: agenda presente nos conteúdos midiáticos, questões discutidas na mídia. Exemplo: escândalo do João de deus.

2º Agenda Pública: assuntos presentes na população durante um dado período de tempo, discutidas e pessoalmente relevantes para o público. Exemplo: falta d’agua recorrente numa região, articulação para a presidência da Câmara no que tange aos temas constantes no projeto de governo do presidente, parados devido à ação do atual presidente da casa.

3º Agenda de Políticas Públicas:  refere-se às questões de governo refletidas nos discursos de alto escalão ou notícias oficiais. São questões que gestores públicos consideram importantes, por exemplo: articulação para a presidência da Câmara, pela passagem ou não de reformas e leis importantes para alguns setores.

Dentro desses, a mídia insere os subitens de agendamento, dentre os quais podemos citar:

Acumulação – capacidade que a mídia tem de destacar um tema e cumular atenção sobre ele, massificando a informação.

Consonância – Apesar de diferentes técnicas de linguagem, existe concentração em um tema e atuação de maneira idêntica ao tratar do assunto.

Onipresença – a capacidade de estar em todos os lugares quando o acontecimento ultrapassa a fronteira de seu espaço.

Frame temporal – Enquadramento no tempo, período de levantamento de dados e constituição do acontecimento são coisas diferentes, a matéria pode ter dez minutos e o acontecimento levar dias ou meses.

Time Lag – Intervalo de tempo que marca o efeito da agenda midiática sobre outra. Exemplo: queda do avião do ministro Teori Zavascki com a soltura de Lula no julgamento da segunda instância.

Relevância – Pela relevância, um acontecimento diferenciado é noticiado independentemente do tratamento. As notícias são relevantes, mas uma é mais importante do que a outra e por isso recebe mais destaque e visibilidade.

Centralidade – consistem em colocar algo importante em um determinado tema de modo que ele vire o “centro das atenções”, só se fala nisso. Exemplo: COVID-19.

Tematização – A maneira como o acontecimento é exposto, com enfoque diferenciado e que chame mais atenção pelo modo de abordar.

Saliência – valorização individual de cada receptor, a mídia não controla, mas orienta o consumidor pelo enfoque e atrai a sua atenção.

Focalização – Recursos linguísticos, estéticos, chamativos, para atrair o olhar do apresentador, fotos utilizadas, focando em pontos do texto, etc.

Desta forma, a teoria do agendamento serve como estudo aplicado para explicar o modo de ação da mídia, e reação de forma a obter interesse entre um tema recapitulado e um atual, se valendo de todos os artifícios citados acima, noticiando ao seu público usando a capacidade de acúmulo sobre o tema.

Exemplo: Fake news sobre a vinculação da investigação da morte de uma vereadora carioca ao Presidente. Foi tentativa de assassinato de reputação, seguida de acúmulo. Se não fosse a rápida reação, ali o desastre teria sido consumado.

Dessa forma, o objetivo deste trabalho é trazer consciência ao público de quando profissionais da comunicação tentam persuadir suas mentes, com ideias manipuladoras e narrativas saídas das redações, infestadas de desinformantes, no sentido comunista.

Renata Araujo, para Vida Destra, 14/01/2021.                                                                  Vamos debater o tema! Sigam-me no Twitter: @tribunascnews

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