O Último dia do Especial de Natal da Brasil Paralelo.

O Terceiro e último Episódio do Especial de Natal da Brasil Paralelo começa de forma dramática. O tema escolhido, foi a trégua entre ingleses e alemães na I Guerra Mundial no dia de Natal que uniu, ainda que por pouco tempo, exércitos inimigos. Bem pertinente a escolha. Álvaro Siviero faz o trânsito para o espírito natalino, com a Ave-Maria de Gounod. Ernesto Lacombe oficialmente inicia o programa, recitando um poema sobre o Natal e a família e em seguida, apresenta os convidados.

Ítalo Marsili, Álvaro Siviero, Thomas Giulliano, Marcus Boeira, Rafael Nogueira, Clístenes Hafner Fernandes e posteriormente, Paulo Kogos. A pergunta inicial é sobre “o Natal hoje em dia”. Ítalo fala imediatamente das compras sem entretanto criticá-las, pois são um sinal de festa. Lembra que graças a São José, o Menino Jesus foi salvo.         

Volta seu olhar para o Presépio e aponta para as quatro visões distintas que ele oferece; visões estas que contribuirão para transformar cada pessoa que se debruçar sobre elas.

Imagem de articgoneape por Pixabay

A primeira, diz respeito aos Pastores que largaram tudo para irem ao encontro de Jesus. Não levaram presentes, mas estavam lá. A segunda, remete aos Reis Magos que levaram presentes para o Aniversariante, em sinal de serviço e adoração. O lampião que está nas mãos de São José significa a luz nas trevas e a proteção de quem cuida. Por último, o olhar mais doce e atento do Presépio é o de Maria. Ela está totalmente voltada para a Verdade.

Thomas Giulliano identifica o Natal com a sua vivência, em especial o chamado para se tornar historiador. Reconhece que a data evoca Nossa Senhora como o primeiro Sacrário do Verbo Que Se Fez Carne e Habitou Entre Nós e passa pela sua história desde a infância até chegar na sua filha pequena, que já tem a sua experiência natalina. Diz sentir-se “embasbacado” com o acolhimento de Deus. “Deus me entende”. Por isso, dentre as inúmeras percepções sobre o Natal, ele escolhe sempre a evocação biográfica

Rafael Nogueira cita a divisão do calendário em AC e DC. Observa que o cristianismo é a única religião onde o símbolo encontra-se com o fato histórico, por isso é chamada de “religião de historiadores”. Cita como exemplo, a Cruz de Cristo que é um fato, mas também um símbolo. Cristo é a própria Verdade. Marcus Boeira aponta o Natal como a Mediação entre o passado e o futuro, o início e o fim da história, que traz a possibilidade de uma “transfiguração interior”.

“Deus se fez homem” e este fato histórico carrega em si, uma estética de perfeição. “A beleza carrega consigo a beatitude e a verdade”. Quanta sabedoria só até aqui. Clístenes Fernandes fala do Papai Noel e do clima que atinge todas as pessoas nesta época, independente da fé. Tudo passa a girar em torno do Natal; é algo invisível e só a arte pode tratar das coisas invisíveis. Surge então, a necessidade de se criar uma forma de expressão para a data – o Papai Noel e todos os elementos exteriores.

Clístenes é poeta e por isso a arte está sempre em evidência neste terceiro dia de programa. Ele defende que “só a poesia pode expressar o que não é perceptível aos olhos, mas sim aos sentidos”. Por isso o Natal traz em si um aspecto simbólico e histórico, mas também artístico. Álvaro “aproveita o gancho” da arte e conta a experiência de ter estado na Basílica de Natividade e na Basílica de Santa Maria Maggiori, onde estão as relíquias do Presépio. “As pessoas desconhecem esta riqueza”.

Faz menção ao fato histórico, mas diz que o Aniversariante foi “cancelado”. Imagina como exemplo uma suposta festa de aniversário em sua casa, onde ninguém o cumprimentasse, nem lhe desse presente. E pergunta “o que está por detrás’? Antes das respostas, música – Noturno N 2, de Chopin. A beleza sempre reverenciada na Brasil Paralelo, que aproveita para fazer um apelo ao público para contribuir com a empresa. O “show” já pode continuar…                                      

Clístenes imposta a voz para recitar seu belo poema de Natal e em seguida, Paulo Kogos entra no debate. Lacombe o elogia, dizendo gostar dos seus vídeos. O entrevistado começa botando o dedo na ferida e aponta um dos responsáveis: o arianismo. A heresia que duvida(va) da divindade de Cristo, lembra ele, foi atacada pelo verdadeiro Papai Noel: São Nicolau. Ele a combateu corajosamente. Nos dias de hoje, as pessoas querem brilhar e esquecem que este é o lugar de Cristo.

Para ele, “as pessoas estão na superfície da existência. A culpa do homem é infinita, ele ofendeu a divindade de Deus” e não tem como resgatar a si mesmo. Critica as missas, que hoje não citam pecado e inferno e as pessoas acham que a Misericórdia de Deus O impedirá de condená-las. Esquecem da Justiça. Tiraram Cristo de suas vidas há muito tempo e o Natal foi só conseqüência. Elas não querem ser humildes, sentencia Paulo. Quão profunda está sendo esta conversa.

Marcus é desafiado a responder como se pode “cancelar o cncelamento”. Cita um trecho do Apocalipse: “onde o Espírito de Deus está aí está a Liberdade”. O medo das pessoas em relação à vida confunde liberdade, com libertinagem e escravidão. O Natal para ele representa o resgate da liberdade na história. O medo da liberdade gera a necessidade do “aqui e agora”. Ao “cancelar o Aniversariante”, anula-se o grande mistério e jamais se alcança a profundidade da existência humana.

Rafael traduz a mensagem de Cristo como “amor”, mas alerta para a visão de cada um sobre o amor que muitas vezes, distancia de Cristo. Chegará o momento, em que o amor vai estar “rarefeito” e irreconhecível e por isso os cristãos deverão resgatar este fato histórico e sua autenticidade. Cabe a eles esta missão. O Presépio sumiu de muitas casas e ele é importante neste resgate. “O Natal que deve ser vivido” agora está sob análise de Ítalo.

A pobreza e condição do nascimento de Jesus sempre voltam à tona. Ele também destaca a humildade como virtude.  “A vida neste mundo é um tipo de serviço”, pois aquele que quer ser o maior deverá ser o que mais serve – diz ele, relembrando Jesus. O amor verdadeiro é o Natal que vale a pena ser vivido, olhar para o outro e se abrir para ele. Mais uma vez exalta o Presépio como “o lugar onde há mais disciplina no mundo, mais do que em qualquer doutorado. Este é o Natal que eu quero viver”, conclui.

Thomas vai ao ambiente doméstico para refletir sobre os natais que viveu. Em alguns ele reconhece ter estado próximo do Menino Jesus; noutros, “sequer teve condições de ser o burro do Presépio”. É, parece que Ítalo está realmente certo em dizer que o Presépio produz grandes frutos ao ser contemplado. O escritor expõe a precária condição de nascimento de Cristo, que foi pior que a do SUS. Diz que “tenta ser um bom ladrão” apenas, sem grandes esperanças.

Impressionante a profundidade desta conversa, sem meias-palavras. Jesus Cristo é a verdadeira razão do Natal da Brasil Paralelo. Paulo, de volta, curiosamente cita um “quarto Rei Mago” que não conseguiu chegar até Jesus, porque se atrasou e não acompanhou os Reis Magos. Continuou tentando ver o Deus-Menino, mas sempre era impelido a algum ato de caridade que o impedia de conseguir o que tanto queria. Ele achava que esta busca teria um fim e realmente teve, na Eternidade.

Marcus se concentra no encontro com Jesus, corroborando mais uma vez o Presépio. Desta vez a sua visão está sobre a relação de cada pessoa com Deus e a riqueza e complexidade da presença Dele, entre nós. Jesus configura em Si Mesmo o Nascimento e a Cruz. “O Presépio é a expressão máxima da beleza, pois é ali que a Humanidade contempla a própria Redenção. O assunto não se esgota.

Rafael consegue renovar o tema, falando de infância. “O Natal que vale a pena” é o que é vivido como criança – figura principal do Presépio. Confessa ter sentido espanto ao ouvir de uma pessoa que sua data preferida era o Carnaval. Esta diferença abrupta em sua opinião, deve-se à vivência familiar intensa do Natal que “plantou a semente” que viria a germinar no futuro. Ele se converteu justamente no Natal e renasceu – como criança. O Natal é uma reflexão anual e deve expandir-se para a vida de todos.

Álvaro faz uma metáfora do tema, correlacionando-o com a música. Sua sensibilidade coloca a partitura, mesmo sendo de Beethoven, como algo que só ganha vida diante do artista que a recria. Deve-se fazer o mesmo pelo Natal; recriá-lo, seja pedindo verdadeiramente perdão ou ainda, dando presente para o Aniversariante. Aproximando-se Dele. “Um homem de joelhos chega muito mais longe que muitos homens caminhando”.

         A Ave-Maria de Schubert canta e mais que encanta; é uma verdadeira oração. O nome da bela voz que a interpretou, ficou em branco. Um show à parte, assim como a interpretação de cada artista. Álvaro parece enamorar-se da (sua) música. Ou será do piano? Enfim… Nunca haverá contradição entre cristianismo e a verdadeira arte, tão importante quanto qualquer palavra dita do início ao fim do programa. Na Brasil Paralelo, a arte sempre estará presente.

         Ernesto Lacombe desafia Ítalo Marsili a terminar o evento. Ele anuncia a música Noite Feliz obrigatória no Natal, servindo de paradoxo para o medo da escuridão e da vida. A Noite Feliz abre as portas da nova realidade, pois foi à noite que a Estrela de Belém apareceu. A riqueza do Presépio clama aos seus espectadores que não o percam de vista. Quando chegar a hora de deixar esta vida como será a despedida; satisfatória ou não? Trevas ou luz?

         Termina, ensinando: “Todas as noites há a oportunidade de fazer o exercício de “afinar” os bons propósitos. À noite vale a pena se perguntar três coisas: “o que eu fiz bem neste dia; o que eu fiz mal e a cereja do bolo: o que eu podia (poderia) ter feito melhor”? É possível acertar na vida e sair dela feliz, orienta. Puro espírito natalino. Obrigada a todos que fizeram deste evento uma referência de fidelidade a Deus e uma grande homenagem a Ele.

         Lição de vida, esperança, conhecimento, filosofia, arte, beleza… e satisfação garantida. O Especial de Natal da Brasil Paralelo permanece, não vai embora. Vai fazer companhia para os seus fãs por muito tempo. A música Noite Feliz vai dando o tom de despedida; é uma ode à beleza artística do evento. E eu que pensava que o forte do grupo era a política…

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