Discurso do Ministro Ernesto Araújo na 31ª sessão especial da AGNU em resposta à pandemia COVID-19 em 03/12/2020.

[Opinião Conservadora]

Transcrição abaixo da janela do vídeo.

O grande Ministro Ernesto Araújo, um dos últimos bastiões dos conservadores no quadro do governo Bolsonaro, fez discurso tranquilizador em relação às preocupações cristãs referentes ao chamado “great reset”; que seria numa tradução simples um “grande reinício”.

Trata-se de um movimento globalista de mudança de curso da humanidade, na direção de transhumanismo e outras práticas com fins higienistas, eco terroristas e ao final, escravizantes dos mais desprotegidos, sob os batidos argumentos de “busca de igualdade”, que sempre redundaram no mais grotesco totalitarismo.

Segue o vídeo legendado e após, caso queira guardar o texto, a transcrição.

Excelentíssimo Embaixador Volkan Bozkir, Presidente da Assembleia-Geral, Excelentíssimo Embaixador Yasar Aliyev, Representante Permanente do Azerbaijão em nome de quem saúdo todos os meus colegas. Distintos convidados, senhoras e senhores.

Como sabemos, a COVID-19 causou um grande impacto nas sociedades e economias de todo mundo. Ela constitui a crise mais desafiadora da história recente e devemos enfrentá-la sem abandonar os princípios fundamentais desta organização, que deve se basear nos esforços de nações individuais atuando de forma concertada.

A COVID-19 não deve ser usada como pretexto para promover agendas que extrapolam a estrutura constitucional do sistema das Nações Unidas.

Apesar do seu alcance mundial a pandemia afeta nações e povos e individuais de forma desigual. As Nações Unidas devem servir de plataforma para que os Estados-Membros compartilhem suas experiências e práticas durante e após a crise.

O Brasil reafirma a responsabilidade primária dos governos de adotar e implementar respostas da COVID-19 específicas aos contextos nacionais. Não existe uma solução única para todos, embora reconheçamos o papel obrigatório da OMS na pandemia, também identificamos deficiências críticas nessa organização que devem ser resolvidas mais rápido possível.

A COVID-19 deve levar a melhores instituições multilaterais, elas devem ser transparentes e prestar contas. Não devemos transferir nenhuma responsabilidade do nível nacional para o internacional apenas para seguir clichês que soam agradáveis como: “O mundo precisa de mais multilateralismo” ou “Problemas globais exigem soluções globais”. Os clichês não nos ajudarão a enfrentar a pandemia. Somente o trabalho nacional e a cooperação entre as nações, com as organizações internacionais cumprindo seu papel indispensável como locus de coordenação e provedor de cooperação, farão o trabalho.

A luta contra o vírus não é menos crítica do que iniciativas para mitigar seus efeitos sociais e econômicos. Todos somos confrontados com a difícil tarefa de proteger as vidas e garantir o sustento de nossas populações. Por isso, espero que o debate de hoje dê uma contribuição significativa a esse respeito.

O Brasil tem adotado ações ousadas para enfrentar os desafios colocados pela pandemia e para enfrentar a crise econômica resultante. Estamos prestando assistência emergencial a cerca de 67 milhões de brasileiros, o que lhes permite enfrentar a pandemia e manter sua renda, especialmente as do setor informal e os desempregados. Nossas despesas para garantir a subsistência dos mais vulneráveis em nossa população chegam a mais de 8% do PIB. Essa carga recai sobre os contribuintes brasileiros e não sobre nenhuma instituição multilateral.

A economia brasileira mantém sua resiliência. O crescimento econômico foi retomado, a produção agrícola atingiu níveis recordes e o desemprego continua sob controle. Durante a pandemia, mantivemos nossa produção agrícola, responsável pela alimentação de 1,2 bilhão de pessoas. Novamente este foi um esforço nacional, não o resultado dos esforços de qualquer instituição multilateral. Não digo isso para culpar as instituições multilaterais por nada, mas apenas para enfatizar que os esforços e as respostas nacionais, no nosso caso, foram fundamentais para enfrentar a crise da COVID-19.

O Brasil também tem feito esforços contínuos para fornecer a todos os cidadãos os cuidados e o tratamento necessários. O sistema público de saúde garantiu o acesso universal e gratuito à saúde para todos os 210 milhões de brasileiros. Acreditamos que fortalecer o acesso a medicamentos, vacinas, diagnósticos e outros produtos de saúde é a chave para derrotar o vírus e salvar vidas. Reconhecemos, é claro, a importância da cooperação internacional.

O Brasil participa de várias iniciativas internacionais para promover o desenvolvimento de tecnologias em saúde para combater a COVID-19 como o “ACT Accelerator”, o “Covax Facility” e o “Solidarity Call to Action”. O Brasil também assinou um memorando de entendimento com a Universidade de Oxford-AstraZeneca para aquisição e produção de vacinas, incluindo transferência de tecnologia.

Estamos investindo em seis projetos nacionais de vacina desenvolvidos por universidades, laboratórios públicos e empresas estatais de tecnologia. O Ministério da Saúde estima que a Bio-Manguinhos/Fiocruz e o Instituto Butantan, duas das maiores instituições públicas de pesquisa do Brasil, junto com empresas farmacêuticas nacionais que possuem convênios específicos com laboratórios estrangeiros terão capacidade para produzir de 600 milhões a 800 milhões de doses até meados de 2021. Com esse nível de produção, o Brasil espera poder contribuir ativamente para os esforços de imunização na região e em todo o mundo.

O Brasil tem trabalhado em estreita colaboração com países vizinhos, especialmente com nossos parceiros do PROSUL, mas também com países diferentes regiões para compartilhar as melhores práticas e as lições aprendidas sobre a pandemia. O Brasil cooperou com a OPAS no treinamento de técnicos de países de nossa região em técnicas de detecção do novo coronavírus no estágio anterior da pandemia global.

O Brasil está profundamente preocupado com os impactos negativos da pandemia na saúde física e mental de todos os indivíduos, incluindo profissionais de saúde, pessoas com deficiência, idosos, mulheres, crianças e jovens. Medidas especiais foram adotadas para proteger os grupos vulneráveis, especialmente nossa população indígena. Adotamos e implementamos oportunamente uma estratégia nacional com objetivo de fortalecer o serviços, a prevenção e o controle da COVID-19 entre a população indígena, respeitando suas especificidades culturais e geográficas.

No contexto da pandemia, investimos em políticas voltadas para a família que levassem em conta as diferentes necessidades e expectativas das famílias para promover relações saudáveis no seio familiar. O Brasil tem orgulho de fazer parte da parceria para as famílias, junto com os Estados Unidos, a Polônia e a Hungria e continuaremos defendendo essa agenda no exterior, inclusive como ferramenta na luta contra a COVID-19.

Enquanto as nações unidas comemoram seu 75º aniversário em meio à situação da pandemia de COVID-19, a situação representa oportunidade para todas as nações renovarem nossos compromissos com os valores consagrados na carta das Nações Unidas. Como destacou o presidente Bolsonaro em sua intervenção na abertura do Debate Geral em setembro passado, o Brasil é membro fundador da ONU e, portanto, está comprometido com seus princípios básicos: paz e segurança, cooperação entre as nações, respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais.

As liberdades fundamentais não são uma ideologia. A dignidade humana requer liberdade tanto quanto requer saúde e oportunidades econômicas. Aqueles que não gostam da liberdade sempre tentam se beneficiar dos momentos de crise para pregar o cerceamento da liberdade. Não caiamos nessa armadilha. O controle social totalitário não é o remédio para nenhuma crise. Não façamos da democracia e da liberdade mais uma vítima da COVID-19. Muito obrigado.

Ministro Ernesto Araújo na 31ª sessão especial da AGNU em resposta à pandemia COVID-19 em 03/12/2020.

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